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Ney Matogrosso fala do namoro com Cazuza: "No início não dei muita bola para ele não"

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Prestes a completar 76 anos em 1º de agosto, Ney Matogrosso será o grande homenageado do Prêmio da Música Brasileira, no dia 19, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. “O prêmio é uma maluquice, é muita coragem fazer algo assim nestes tempos”, diz o cantor, referindo-se ao quase cancelamento da premiação por falta de patrocínio. Com 45 anos de carreira, Ney acaba de fazer um dueto póstumo com Cazuza, gravando virtualmente a música “Dia dos namorados”.

ÉPOCA – Acha que contribuiu para diminuir a caretice no país? 
Ney Matogrosso –
Queria me liberar, fazer o que desse na cabeça. Nada foi premeditado. Diziam que artista não podia andar na rua, então inventei as máscaras. Me defendia: batiam palmas, e eu me fechava. Hoje, quando batem, me abro. Vi que era melhor ser mais acessível. Mesmo pintado, de batom, colar e miçanga, eu era uma pessoa, não um bicho. Não sei se era coragem ou insensatez.

ÉPOCA – Passou aperto na ditadura?
Ney –
Antes dos Secos e Molhados, fui preso por ser hippie e não tinha dinheiro para dar à polícia. Fomos uma prostituta, um bicheiro e eu. Ela chorou e foi liberada. O bicheiro pagou. Eu não tinha nada, passei a noite na prisão. A história da corrupção é antiga mesmo...

ÉPOCA – Já teve pudor com o corpo?
Ney –
Quando adolescente. Não deixava ninguém me ver sem camisa. Eu tinha vergonha do pé, da mão. Depois, nunca tive problemas com nudez. Houve o ano em que era moda os homens nadarem pelados no Posto 9, em Ipanema. Entrava no mar e botava a sunga no pescoço. O escritório de todo mundo era na praia, fumava-se muita maconha lá.

ÉPOCA – Gravar virtualmente com Cazuza trouxe boas recordações?
Ney –
Sabia que era provocação e a admiti. Fiquei feliz de gravar. Gostei do resultado. Conheci Cazuza em 1979. De início, não dei muita bola para ele. Achava que, por ser filho do João [Araújo], daria trabalho. Mas ali começamos nossa história.

ÉPOCA – Há artistas que devem a fama às redes sociais. Como lida com elas?
Ney –
Quase não uso, prefiro rádio. Ouço música no carro para me atualizar. Antes, era mais interessante, porque se ouviam Amália Rodrigues, Edith Piaf. Hoje, está muito restrito às músicas americana e brasileira. Mas, mesmo sem internet, os Secos e Molhados balançaram o coreto, com repercussão internacional. Até saímos em revista americana. Empresários dos Estados Unidos queriam me levar para lá.

 

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Ivaldo José Fragoso Ribeiro
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Antônio Guimarães
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