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Polícias devem atuar juntas contra assaltos nas estradas, diz PRF


Superintendente frisa que órgão trabalha "silenciosamente" para prender acusados; Em 2013, foram registrados 16 casos



Ana Carla Vieira




O número de assaltos nas estradas que cortam o estado de Alagoas vem crescendo assustadoramente. A última ocorrência de repercussão foi um ataque a um ônibus interestadual vindo de Aracaju para Maceió. Os passageiros viveram momentos de extrema tensão com a agressividade da quadrilha.

Em entrevista ao TNH1, a superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Alagoas, inspetora Vera Lúcia Preto Cello, afirmou que o avanço desse tipo de crime e, consequentemente, a insegurança nas rodovias são reflexos da pobreza e da violência em geral que tomou conta das cidades alagoanas.

Para ela, esses crimes nas rodovias só poderão ser contidos com um trabalho envolvendo todas as polícias. A inspetora frisa que as polícias devem acabar com as "vaidades" e trabalharem mais unidas para combater a criminalidade em todos os lugares. “Se não houver trabalho integrado, não chegaremos a lugar nenhum. Todos os levantamentos que fizemos, passamos para a Polícia Judiciária investigar. Com essa parceria, a Polícia Civil em São Miguel dos Campos, por exemplo, já conseguiu efetivar várias prisões. Mesmo que um crime aconteça fora da nossa jurisdição, nada impede que a gente auxilie ou então que solicite o apoio da Polícia Militar, quando for o caso”, disse.

Em maio deste ano, quando se constatou um aumento no número de assaltos nas estradas, a PRF convocou uma reunião com as empresas de ônibus para dar algumas orientações e pedir contribuição. “Nós pedimos às empresas que instalassem câmeras nos ônibus para que fosse feita uma melhor identificação dos suspeitos. Pedimos também que fosse feita uma maior vigilância, principalmente na hora de verificar, no embarque, os documentos de todos os passageiros. Isso porque às vezes acontece do criminoso já embarcar no ônibus e somente no meio da viagem vir a declarar o assalto”, explicou a superintendente.

Vera Lúcia disse que os bandidos começaram a perceber as câmeras, e já entravam nos veículos quebrando-as. Mesmo assim, as empresas conseguiram encaminhar à PRF várias imagens que estão sendo analisadas pelo setor de inteligência do órgão e que já contribuíram para a realização de algumas prisões. “Nós estamos trabalhando nas investigações e encaminhamos essas imagens à Polícia Civil. A PRF não está parada, muitas ações acontecem sigilosamente”, enfatizou a superintendente.

ASSALTOS NA BR-101

Com relação aos assaltos nas estradas e na BR-101, considerada a mais violenta do estado, a PRF já conseguiu identificar um modus operandi dos bandidos agirem. “Os assaltantes roubam carros, em Maceió ou nas cidades do interior, já com a finalidade de praticar os assaltos a ônibus nas rodovias. É por isso que eu digo que um crime leva ao outro e por isso as Polícias devem trabalhar juntas”, opinou a inspetora.

Segundo a superintendente, que está no cargo desde novembro do ano passado, o trecho compreendido entre os quilômetros 129 e 157 da BR 101, nas localidades do município de São Miguel dos Campos, é onde se tem mais registros de assaltos a veículos nas rodovias alagoanas.

Somente neste trecho, foram registradas 14 das 16 ocorrências deste ano. Um dos trechos mais críticos, classificados pela superintendente, é o da divisa com Sergipe. No mesmo período do ano passado, 13 ocorrências como essas foram registradas.

“Existe uma vulnerabilidade no local, por conta das crateras nas estradas. Geralmente, os assaltos acontecem quando os motoristas reduzem a velocidade nesses trechos”, disse Vera Lúcia.

MENORES ENVOLVIDOS

De acordo com Vera Lúcia, tem sido muito comum que as vítimas identifiquem, em seus relatos, o envolvimento dos menores e é justamente por isso que ela é a favor da redução da maioridade penal no país. “Para a gente está muito claro que a maioridade deva ser reduzida no Brasil, porque são muitos menores cometendo crimes e ninguém pode fazer nada. E quem lida todos os dias com essa situação é a Polícia e ninguém mais. Então não venham sociólogos e 'etc' defender que não, porque nós é que sabemos”, declarou Vera Lúcia.

Para ela, o contexto do estado como um todo é muito ruim, e isso contribui para o aumento do número de crimes. “Faltam oportunidades de trabalho, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de Alagoas é baixo, faltam investimentos em educação, e a violência está em todos os lugares, não só nas estradas”, ressaltou a superintendente.


tnh1


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