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Aos 90 anos, mestre Zezinho percorre 5 km por dia tocando saxofone em Marechal

Aos 90 anos de idade, José Romeiro Neto, o respeitado Mestre Zezinho, anda cerca de 5 quilômetros, todos os dias, de domingo a domingo, tocando saxofone. O fato inusitado acontece desde que ele tinha 15 anos, e já ganhava as ruas da cidade histórica de Marechal Deodoro, onde chegou para morar quando ainda era 'garoto' e que é considerada por ele como o seu 'lugar favorito'.

 "Quando eu tô dentro de casa, sem tocar, mé dá uma agonia tão grande, que só sossego quando vou para as ruas tocar, é quando me sinto feliz", explica o mestre ao falar do ritual que segue todos os dias. "Aqui é como cantiga de grilo, é direto" brinca.

Zezinho conta que sente muito amor pela cidade onde cresceu. Ele lembra que quando chegou em Marechal Deodoro "não havia nenhum carro na cidade, além dos carros de boi" e é as margens da Lagoa Manguaba, onde junto do seu pai aprendeu a pescar e fez daquilo a sua profissão, que atualmente o aposentado pescador mais sente prazer ao tocar saxofone.

Só de orla lagunar, são cerca de 3 km percorridos diariamente ao som delicioso do saxofone. O comerciante Olival Júnior, que diariamente está às margens da lagoa, conta que seu Zezinho demora mais de três horas para percorrer o trecho  e que os turistas param para tirar fotos e filmar a cena. "Até mesmo os moradores, que o veem todos os dias, se encantam com o seu Zezinho", relata. O comerciante lembra que o artista não pede nada em troca. "Até para aceitar uma água dá trabalho", conta Olival. 

"Sou um homem que nasci pra tocar, o problema é que ninguém dá valor", lamenta seu Zezinho, que cobra mais incentivo por parte dos gestores. Um dos desejos dele é comprar um instrumento de melhor qualidade. "Eu toco demais o instrumento e esse já está com alguns anos de uso, mas não tenho condições de trocá-lo por um mais novo, pois o valor da minha aposentadoria é bem pequeno", conta. 

O pique do mestre é semelhante ao de um jovem músico. Ele lembra com paixão dos grandes bailes e serestas que aconteciam em Marechal no tempo de sua juventude.  "A cidade hoje em dia é muito parada, não tem animação, sinto saudade de quando eu tocava nos bailes na minha mocidade. Hoje saio às ruas sozinho porque não tenho outro parceiro que se interesse em tocar", relata. 

O mestre conta animado que já fez muita gente chorar ao som de grandes músicas. "Não tem caderno que dê se eu for escrever todas as músicas que sei tocar. Já fiz muita gente chorar nesse Brasil afora", ressalta.

Família

Aos 81 anos, a esposa do mestre Zezinho, dona Jacira, é testemunha da satisfação que ele sente ao sair às ruas tocando saxofone. Ela o questiona quase que diariamente: "Será possível que este homem não se abusa de tanto tocar"? 

Por outro lado, o filho deles conta que acha a rotina de tocar e caminhar essencial para a saúde do mestre. "Já se tornou um hábito. Se ele deixar de fazer isso, fica muito desanimado. Já aconteceu de ele ficar sem o sax para tocar e foi uma época que ele ficou muito abatido, adoentado", lembra Jailson Maia. 

Mestre Zezinho

O mestre diz que permanecerá tocando enquanto vida tiver, já são 75 anos dedicados à música e a si mesmo, já que tocar é relatado por ele como um dos seus maiores prazeres. Seu Zezinho, que já se tornou uma ícone de Marechal Deodoro, pode ser encontrado andando pelas ruas sempre durante o pôr do sol, ecoando o som que é suave para os ouvidos de qualquer pessoa. 

Com toda força e vigor, carregando nas mãos o instrumento que pesa mais de 5 kg, seu Zezinho consegue deixar as pessoas maravilhadas pelos quatro cantos da cidade histórica. 

"Seu Zezinho é um exemplo apaixonante, uma verdadeira cultura viva", cita Olival. 

 

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