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Renan Calheiros diz que é uma das vítimas de Janot.

Em uma de suas recentes entrevistas, o senador Renan Calheiros (PMDB) se disse uma das vítimas do procurador, Rodrigo Janot. Que Janot cometeu atos na sua gestão que precisam ser vasculhados e melhor explicados não resta dúvida. A forma como Janot conduziu a delação de Joesley Batista levanta suspeitas fortíssimas, por exemplo, de que diferenciou Chicos e Franciscos, denunciando os Franciscos quando era mais conveniente e ao apagar das luzes. 

Quando tudo - portanto - apontou para Michel Temer (PMDB), Calheiros não teve dúvidas ao enxergar o presidente como um suspeito no comando da nação. Mas, quando apontou para Lula (PT), fez vídeo em defesa do ex-presidente. Ora, os dois - Temer e Lula - estão postos em um enredo em que possuem muito o que explicar. 

No “vitimismo” de Renan Calheiros reside uma certa razão em relação a Janot, mas nada impede que este seja um caso onde ambos - Renan Calheiros e Rodrigo Janot - tenham razão. Afinal, não é de hoje que pesam denúncias graves contra o homem mais forte do PMDB de Alagoas e suas práticas nada republicanas. Calheiros coleciona inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) e, como homem público, deve dar satisfações sobre elas. 

Claro: deve ser garantido a Calheiros - como a qualquer outro cidadão - o amplo direito à defesa e ao contraditório. Todavia, não me espantaria se nesse estamento burocrático que virou a República brasileira (estamento este já denunciado por Raimundo Faoro em Os Donos do Poder) existissem pouquíssimas vítimas diante dos jogos de interesse e de manutenção do poder. Calheiros foi um homem forte de diversos governos, incluindo o mais recente da presidente Dilma Rousseff (PT). 

Foi um dos articuladores para manter os direitos políticos de Dilma Rousseff apesar do impeachment e do que diz a Constituição Federal. Então, em minha humilde visão, Calheiros buscou os “argumentos” para rasgar a Constituição e no estamento ninguém faz nada de graça. Logo, as verdadeiras vítimas desse processo não ocupam as cadeiras poderosas de Brasília, mas sim as filas de hospitais e as demais filas que esperam por Saúde e Educação diante de um Estado gigantesco que penaliza o contribuinte com altos impostos e burocracia, mas não devolve em serviços. 

O estamento possui tentáculos gigantes e caríssimos. É um Leviatã atrasado, pesado, que só engorda, e beneficia os que se locupletam nesse banquete. 

Não cola essa defesa desesperada de Renan Calheiros de dizer que é uma das vítimas preferenciais do procurador da República, Rodrigo Janot, mesmo com todos os erros de Janot e com sua atuação nada imparcial, quando se analisa os fatos. Janot caiu atirando para todos os lados quando se viu no enredo da lambança promovida por Joesley Batista e quem o tenha ajudado. Tudo isso precisa ser esclarecido, evidentemente.  Calheiros acerta ao apontar isso, mas isso não é tudo e nem isenta o peemedebista de imediato.

Mas, as vítimas desse estamento são outras. 

A CPI proposta por Renan Calheiros tem clara e notória função de retaliação. Todavia, isso não quer dizer que não deva existir e que não possa trazer à luz coisas interessantes sobre outros poderes. Que eles briguem para que verdades surjam de onde menos se espera. Torço por isso. 

Que o Brasil seja passado a limpo, independente de ser o PMDB, o PSDB, o PT, o PP ou qualquer outra sigla partidária dessa República que riu faz tempo e ainda se sustenta pelo peso do estamento burocrático. 

As acusações a Janot - ainda que possuam alguma razão (e possuem em alguns casos!) - não pode servir para jogar o “bebê fora com a água suja do banho”.  Não podem descaracterizar todo o trabalho que foi desenvolvido pela Operação Lava Jato que aponta sim para provas que mostram o quanto dentro do PMDB e do PT existiam verdadeiras quadrilhas criminosas. Não por acaso esses dois partidos estavam abraçados durante tanto tempo, incluindo aí a aliança entre Dilma Rousseff e Michel Temer que foi abençoada por grande parte dos peemedebistas e dos petistas. 

Não se trata de prejulgar Renan Calheiros. Repito: tem que haver o direito ao contraditório e à ampla defesa, mas colocar o peemedebista como uma “vítima” diante das posições que sempre ocupou e do poder que sempre acumulou dentro desse estamento é um pouco demais. Isto por si só faz com que seja plausível cobrar respostas de Renan Calheiros. Respostas sólidas e não apenas um “mimimi” numa narrativa de perseguição. 

Calheiros - por fim - está correto aos dizer que não se curvará diante de denúncias. Que ele não se curve, mas que esclareça para além do discurso em que se vitimiza. No mais, assim como Calheiros, torço para que o Supremo Tribunal Federal (STF) “separe o joio do trigo”. Que o estamento montando nas últimas décadas é o joio, eu não tenho dúvidas. Agora, quem é trigo? Bom, que os processos andem para que assim saibamos… 

E que no fim, aprendamos a lição: quanto menos Estado, menos corrupção. 

 

 

Blog do Vilar


Ivaldo José Fragoso Ribeiro
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