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Cabral e mulher dão autorização à Justiça para leiloar bens apreendidos

O ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo autorizaram a Justiça Federal a leiloar todos os bens apreendidos e bloqueados pela Justiça Federal durante as investigações da Operação Lava Jato no Rio.

A decisão tem impacto principalmente sobre o destino do imóvel do casal no Condomínio Portobello, em Mangaratiba. O TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) havia cancelado o leilão da casa e determinado que ela fosse alugada até o fim dos processos.

A autorização não implica numa redução da pena em futuras sentenças a serem proferidas pelo juiz Marcelo Bretas. Isso porque os valores obtidos em leilão permanecem depositados numa conta judicial até o fim de todos os recursos possíveis aos réus.

Na petição entregue a Bretas, os dois afirmam que "não apresentarão oposição às alienações antecipadas". Mas pedem que os valores arrecadados sejam devolvidos em caso de absolvição.

O casal ainda avalia abrir mão de fato dos bens, o que pode possibilitar uma redução de pena. Os bens, que incluem também joias, lancha e automóveis, estão avaliados em R$ 14,5 milhões.

Outros réus já entregaram valores à Justiça, como o ex-secretário Sérgio Côrtes e o empresário Fernando Cavendish. O último teve uma redução de quase metade da pena total ao disponibilizar R$ 375 milhões de créditos da Delta com órgãos públicos.

Cabral já foi condenado em quatro processo a penas que somam 100 anos. Uma das sentenças já foi confirmada em segunda instância. Adriana Ancelmo foi condenada em duas ações penais a quase 28 anos de prisão.

O fim da oposição ao leilão é resultado do último interrogatório de Cabral em que confessou ter mantido relação "promíscua" com empresários e não ter se contido "diante de tanto poder". Nela, Bretas instou o ex-governador a devolver recursos à Justiça: "Abra mão de seu patrimônio e demonstre de forma prática seu arrependimento".

"Qual a importância de patrimônio estando longe dos filhos?", disse Cabral. Ele também afirmou que iria oferecer os bens à Justiça.

A casa de Mangaratiba foi avaliada em R$ 8 milhões. Ela tem 462 metros quadrados de área construída com dois pavimentos, cinco suítes, dois lavabos, dois banheiros, sala, átrio e cozinha. A área externa tem cerca de 500 metros quadrados com duas piscinas, churrasqueira e, na frente do terreno, uma quadra de vôlei na orla da praia São Braz.

 

Com informações da Folhapress.


Ivaldo José Fragoso Ribeiro
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Antônio Guimarães
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