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Mendes de Barros critica marajás da Assembleia: ‘Uma vergonha’


14 assessores de deputados sacaram R$ 2,257 milhões apenas no dia 3 de setembro do ano passado




Os históricos privilégios na Assembleia Legislativa de Alagoas - hoje devassada a mando do Ministério Público Estadual - azeitaram a campanha do então governador Fernando Collor à Presidência da República. A bandeira de “Caçador de Marajás” foi criada a partir do advogado alagoano, ex-procurador-geral da Assembleia Legislativa, Luiz Gonzaga Mendes de Barros.Mendes de Barros era o exemplo que Collor levantou para cortar os supersalários na administração pública.

Debochado, levantou a bandeira “anti-Collor” levando adiante o título de nobreza dado aos príncipes da antiga civilização indiana e carregando o charuto - hoje dispensado do dia a dia do “ex-marajá”, como se denomina.“Não fumo mais”, diz Barros, hoje com 80 anos.“Nunca fui marajá, minha remuneração sempre foi legal”, esclarece.Hoje, a Assembleia Legislativa se prepara para publicar os nomes de, pelo menos, dez marajás, em meio a uma crise política que se arrasta desde 2007, quando a Polícia Federal detonou o maior escândalo de corrupção da história de Alagoas: o desvio de R$ 300 milhões da folha de pagamento da Casa de Tavares Bastos. Tudo protagonizado por deputados, que usavam laranjas.“É uma vergonha o que acontece hoje com a Assembleia. Nunca vi isso. Eu trabalhava. Hoje, a Assembleia tem um bocado de marajás que nem trabalham”, diz Mendes de Barros.Hoje, o ex-marajá tem salário de R$ 15 mil.

Os novos marajás da Assembleia - na verdade, laranjas de deputados - ganham até R$ 44 mil, quase o dobro do teto do funcionalismo público.   Quinze promotores de Alagoas levam adiante uma das maiores investigações da história do Ministério Público Estadual contra das denúncias de corrupção.

Centenas de extratos bancários, obtidos com autorização da Justiça Federal pela Lei de Acesso à Informação, via Caixa Econômica Federal, mostram que a Assembleia paga a pelo menos 30 funcionários que recebem o Bolsa Família, mesmo todos estando fora dos padrões  exigidos pelo programa; vereadores recebem salário mesmo sem pisar na Casa; criminosos condenados pela Justiça permanecem recebendo dinheiro; um dentista, que é funcionário da Casa, foi acusado, há duas semanas, de falsificar a assinatura do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), tentando transferir-se para a folha de pagamento da Prefeitura de Maceió e requerer aposentadoria. Foi descoberto pela Controladoria Geral da União, que faz uma devassa em algumas contas do Executivo na capital.

Na folha há ainda donas de boutiques e celebridades de destaque nas colunas sociais locais que têm salário sem necessidade de saber qual a função que ocupam no Legislativo.

A maioria dos agraciados tem sobrenomes da elite alagoana. São os Brêda, os Toledo, os Mello e algumas outras famílias que esbanjavam glórias no passado e hoje se esparramam na folha de pagamento da Assembleia - a maioria falidos ou casados com ricos mais recentes, cena comum na nobreza colonial.Alguns casos chamam a atenção.

Pelos extratos, há servidores que ganham três, quatro salários em um único mês. Outros tinham 30 e até 51 depósitos bancários em suas contas em um único ano, todos autorizados pela Mesa Diretora nos últimos três anos. Quatorze assessores de deputados sacaram R$ 2,257 milhões no dia 3 de setembro do ano passado. Neste dia, a conta da Assembleia foi assumida - oficialmente - pela Caixa Econômica.

Em compensação, o banco depositou R$ 3,9 milhões para que a Casa quitasse suas dívidas trabalhistas. O dinheiro sumiu em poucos dias.Todos os extratos bancários foram entregues ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas. Só no TC, foram abertas 23 investigações. Em uma rápida análise, o MP de Contas - ligado ao tribunal- descobriu 108 mil movimentações financeiras entre 2010 e 2012. São 36 mil depósitos bancários por ano ou quase 100 por dia. A Assembleia tem 2.200 funcionários, menos de 300 trabalham por faltar espaço no único prédio do Legislativo, que cai aos pedaços.

São tantas irregularidades que ao publicar despacho “oficializando” as investigações, o MP de Contas esgotou as letras do alfabeto: as denúncias envolvem até não recolhimento de INSS, nepotismo e distribuição sem controle de gratificações.“Sempre fizemos o uso dos recursos corretamente, em sintonia com a legislação. Não temos dúvida nenhuma de que todos os pagamentos foram feitos dentro da legalidade e que todas as acusações serão respondidas. Tudo que foi pago na Assembleia Legislativa é legal e está amparado em lei”, diz o presidente da Assembleia, deputado Fernando Toledo (PSDB), que espera convocação do MP Estadual para dar explicações.

O poder faz um recadastramento de servidores. Um deles mora em Sydney, na Austrália.Em 6 de dezembro de 2007, a Polícia Federal estourou a Operação Taturana. Descobriu que deputados, funcionários da Assembleia e de bancos ajudaram a desviar R$ 300 milhões- um dos maiores rombos da história do Brasil- cinco vezes maior que o Mensalão. Deputados foram presos mas ninguém foi condenado. Três deputados federais de Alagoas são citados na fraude, além do presidente do Tribunal de Contas de Alagoas e mais dois conselheiros da Corte de Contas do Estado.




Odilon Rios Especial para o EXTRA


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